Terapia Craniossacral

Andrea Zbinden

O que a história de fracasso do viagra feminino ensina sobre a sexualidade das mulheres

Viagra > female viagra portugal


E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado.

  • Estudos clínicos indicam que a flibanserina pode aumentar em cerca de 0,5 a 1 evento sexual satisfatório por mês em comparação com o placebo.
  • Os efeitos secundários mais comuns incluem tonturas, sonolência, náuseas e fadiga, sendo o consumo de álcool desaconselhado durante o tratamento.
  • A toma deve ser diária, ao deitar, para minimizar os efeitos de sedação durante o dia.
  • Em Portugal, o preço do tratamento pode variar entre 50 e 80 euros por mês, dependendo da farmácia e do seguro de saúde.
  • A adesão ao tratamento é frequentemente baixa devido aos efeitos adversos e à perceção de eficácia limitada.

É diferente de uma ereção, que é algo observável.

O que é o Viagra?

"Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou. Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão.

Início e duração do efeito

Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. "Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico. Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro.

Eficácia clínica: o que dizem os estudos?

Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina. A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam. Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada

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de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral.

  • Em Portugal, o termo "female viagra" refere-se frequentemente a medicamentos como a flibanserina, aprovada para o tratamento do desejo sexual hipoativo em mulheres na pré-menopausa.
  • Estes fármacos não são de venda livre em farmácias portuguesas, exigindo receita médica após avaliação de um especialista em ginecologia ou psiquiatria.
  • A flibanserina atua no sistema nervoso central, regulando neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, ao contrário dos efeitos vasculares do sildenafil masculino.
  • O Infarmed, autoridade nacional do medicamento, regula rigorosamente a prescrição e dispensa destes tratamentos em Portugal.

Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália.

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Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. O homem sente desejo e tem uma ereção.

  • O acompanhamento psicológico é essencial para mulheres que associam a baixa libido a traumas ou experiências negativas passadas.
  • Grupos de apoio em Portugal, como os promovidos pela Associação Portuguesa de Apoio à Mulher, oferecem espaços seguros para partilha de experiências.
  • A terapia de casal focada na intimidade e na comunicação pode resolver problemas de desejo sem necessidade de medicação.
  • O mindfulness e a meditação têm mostrado eficácia na redução da ansiedade de desempenho sexual em mulheres portuguesas.

No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas.

Viagra vs. sildenafil genérico: qual a diferença?

Quase 25 anos e muitos milhões de dólares depois, a indústria farmacêutica nunca conseguiu emplacar uma versão da "pílula azul" para as mulheres. A história do viagra masculino é bastante conhecida. "Quando alguns dos participantes dos testes clínicos começaram a relatar que vinham tendo mais ereções que o normal. Nós inicialmente não demos muita atenção, achamos que se devia ao fato de os participantes serem homens jovens." A decisão de investigar melhor veio quando um trabalho publicado por pesquisadores americanos mostrou como um dos componentes do fármaco que eles vinham testando (chamado inibidor PDE5) agia sobre o tecido do corpo cavernoso do pênis, aumentando a circulação sanguínea na região. "Meu chefe pediu que organizasse um estudo para entender se aquilo era real ou um 'acidente'", lembra Boolell.

Flibanserin é o mesmo que Viagra?

Tempos depois, as pesquisas com o viagra mostrariam que esse aumento da circulação era de fato capaz de provocar ereções e de mantê-las por mais tempo. E a primeira abordagem da indústria farmacêutica ao voltar seus esforços para um possível viagra feminino se baseava exatamente nesse princípio: literalmente bombear mais sangue para a vagina e para o clitóris. "O tecido que dá origem aos órgãos sexuais femininos e masculinos é o mesmo nas fases iniciais do desenvolvimento do feto", explica Boolell. "Esse tecido vai se diferenciando à medida que é exposto aos hormônios, mas as células-tronco que dão origem aos órgãos sexuais são essencialmente as mesmas [em meninos e meninas]. E a enzima fosfodiesterase tipo 5 [PDE5] também está presente no tecido genital feminino.

Aprovação e estatuto legal em Portugal

Então nós pensamos: 'Bom, se funcionou com os homens, tem uma boa chance de que tenha impacto nas mulheres'." Os exames fisiológicos chegavam a mostrar um aumento da circulação sanguínea na vagina e no clitóris, mas tanto as participantes do grupo placebo quanto as que estavam tomando viagra não relatavam melhora na função sexual. Outras farmacêuticas realizando pesquisas semelhantes vinham se deparando com o mesmo problema - o que não chegava a ser surpresa para os especialistas em fisiologia sexual que já pesquisavam como a questão do fluxo sanguíneo se encaixava na equação da satisfação sexual. Esse era o caso da cientista Nicole Prause, na época envolvida em um dos projetos do viagra feminino nos EUA. O aumento do fluxo de sangue para os órgãos sexuais também faz parte da resposta sexual feminina. Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão. Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris,

Medicamento Substância ativa Indicação principal Estado em Portugal
Addyi Flibanserina Desejo sexual hipoativo Aprovado mas não comercializado
Vyleesi Bremelanotida Desejo sexual hipoativo Não aprovado na UE
Osphena Ospemifeno Dispareunia pós-menopausa Não aprovado na UE
Intrinsa Testosterona transdérmica Desejo sexual hipoativo Aprovado pela EMA mas não em Portugal

por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa.

Pode a disfunção erétil estar relacionada com outros problemas sexuais?

Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber. A droga chegou a ser rejeitada duas vezes pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulatório americano, antes de ser aprovada. Uma das vozes críticas foi a da professora do departamento de Psicologia da Universidade de Utah Lisa Diamond, que pesquisa a sexualidade feminina. A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real". "Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo.

Como é que se toma o Viagra?

O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção.

Citrato de Sildenafil

A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica.

Dosagem em populações especiais

"Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E viagra pfizer preco isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres". Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora.

 

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